TOC

Você sabe que te vigio enquanto está longe? Eu amava o jeito como isto costumava ser. Eu deixei um pouco de mim em você para que use quando sentir dor. Eu nem sei se ainda sou capaz de fechar as feridas que deixei sem querer dentro de ti. Você reclamava do excesso de chuva, do excesso de sol, de como faz calor aqui e frio lá. Eu nunca o entendi, mas sorria e concordava por achar lindo. Achava engraçado como juntava saliva para tomar remédio por não querer sair de frente do computador e perder o foco ao escrever. Qualquer coisa te tira a atenção. Qualquer coisa te dá inspiração. Gostava de quando saia com o seu guarda-chuva que protegia apenas a cabeça e deixava passar frio pelo seu coração. Às vezes eu a olhava enquanto trabalhava. Você parecia tão concentrada que ficava com medo de oferecer um café. Então você me olhava e dizia: Quero sim. Como se adivinhasse o que eu estava planejando. Eu sentava no seu colo enquanto você tirava algumas notas no violão e nós sussurrávamos juntos uma canção que ficou no papel. Você costumava olhar fixamente para as letras e procurar desenhos nas entrelinhas. Eu acreditava ter te conhecido em outras vidas, você dizia que havia apenas uma. Eu não sabia o que se passava na sua cabeça mas conseguia perseguir os sinais. Quando você parou de escrever foi quando notei metade da sua felicidade se perdendo. Foi quando pedi para não me perder também. Eu queria fazer parte dos seus pensamentos, das suas críticas e da sua vida. Você apenas queria fazer parte. Mudar alguém pode ser tão doloroso quanto mudar o mundo. O seu tchau virando a esquina. Suas pernas, bambas, se cruzando no meio fio. Seu cheiro de álcool impregnando a casa. Seu amor impregnando minha vida. Você sempre quase desiste das coisas. Você sempre quase faz algo errado. Mas quase sempre você o conserta. A sua vida foi algo a ser consertado, seu coração não. Você odiava que falassem de ti e dizia que todos na rua te encaravam. Acredito friamente que você tinha TOC por olhares. Nada mais é como antes, nem você. Eu preciso do seu sorriso para preencher a minha cabeça. Preciso saber que voltará para eu saber que ficarei. Preciso que precise de mim o tanto que eu sinto precisar de você. E se todas as histórias não forem suficientes, me dê a mão que te ensino a construir uma verdade. Tudo passou de mim, de um tchau virando a esquina, de um cheiro, de um papel. Tudo passou pelas ruas, pela sala, pelo seu quarto. Se algo mudou, se deu na minha forma de expressão, porque se olhar bem dentro, vai ver que ainda é seu meu coração.

                                                                           - Bárbara Figueiredo

TOC
Você sabe que te vigio enquanto está longe? Eu amava o jeito como isto costumava ser. Eu deixei um pouco de mim em você para que use quando sentir dor. Eu nem sei se ainda sou capaz de fechar as feridas que deixei sem querer dentro de ti. Você reclamava do excesso de chuva, do excesso de sol, de como faz calor aqui e frio lá. Eu nunca o entendi, mas sorria e concordava por achar lindo. Achava engraçado como juntava saliva para tomar remédio por não querer sair de frente do computador e perder o foco ao escrever. Qualquer coisa te tira a atenção. Qualquer coisa te dá inspiração. Gostava de quando saia com o seu guarda-chuva que protegia apenas a cabeça e deixava passar frio pelo seu coração. Às vezes eu a olhava enquanto trabalhava. Você parecia tão concentrada que ficava com medo de oferecer um café. Então você me olhava e dizia: Quero sim. Como se adivinhasse o que eu estava planejando. Eu sentava no seu colo enquanto você tirava algumas notas no violão e nós sussurrávamos juntos uma canção que ficou no papel. Você costumava olhar fixamente para as letras e procurar desenhos nas entrelinhas. Eu acreditava ter te conhecido em outras vidas, você dizia que havia apenas uma. Eu não sabia o que se passava na sua cabeça mas conseguia perseguir os sinais. Quando você parou de escrever foi quando notei metade da sua felicidade se perdendo. Foi quando pedi para não me perder também. Eu queria fazer parte dos seus pensamentos, das suas críticas e da sua vida. Você apenas queria fazer parte. Mudar alguém pode ser tão doloroso quanto mudar o mundo. O seu tchau virando a esquina. Suas pernas, bambas, se cruzando no meio fio. Seu cheiro de álcool impregnando a casa. Seu amor impregnando minha vida. Você sempre quase desiste das coisas. Você sempre quase faz algo errado. Mas quase sempre você o conserta. A sua vida foi algo a ser consertado, seu coração não. Você odiava que falassem de ti e dizia que todos na rua te encaravam. Acredito friamente que você tinha TOC por olhares. Nada mais é como antes, nem você. Eu preciso do seu sorriso para preencher a minha cabeça. Preciso saber que voltará para eu saber que ficarei. Preciso que precise de mim o tanto que eu sinto precisar de você. E se todas as histórias não forem suficientes, me dê a mão que te ensino a construir uma verdade. Tudo passou de mim, de um tchau virando a esquina, de um cheiro, de um papel. Tudo passou pelas ruas, pela sala, pelo seu quarto. Se algo mudou, se deu na minha forma de expressão, porque se olhar bem dentro, vai ver que ainda é seu meu coração.
                                                                           - Bárbara Figueiredo



Para-quedas de sonhos.
Nunca pensei precisar significativamente de ninguém, sempre possui minhas palavras, meus versos meio do avesso, meio sem importância. Mas agora, tudo me falta. Perdi minha inspiração e agora amasso folhas com pedaços de vida o tempo inteiro que tento, com destreza, te matar dentro da minha cabeça. E, acredite, dentro dela eu já te matei umas três vezes, difícil é convencer o coração. Não que ele seja tão responsável, considerando que é o cérebro quem faz todo o trabalho. Mas o difícil da coisa é sentir. Maldito, coração! Se eu não sinto, eu não ligo. Morra quantas vezes quiser, mas me deixe intácto, por favor. Agora eu estou sozinho. O vento sopra ao meu lado como se fossem sussurros de que tudo irá passar. Mas não passa, não passa nunca sem você. As palavras me deixaram, o vazio também. Simplesmente não sinto nada, mas é insignificante e faz frio aqui. Mas isso não tem importância. Não sinto nada. (Bárbara Figueiredo)
Mas e se pudéssemos jogar todos os livros fora e carregar conosco apenas a página do agora?
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